E vejo a minha imagem
Olhando para mim mesmo
Com o meu olho olhando a si próprio
Percebo que nem minha imagem é permanente
E entendo a dificuldade de meditar:
O fazer a mente refletir-se como mera mente
Sem as imagens que em pensamentos faz de si
Consolidadas como um Eu, personagem inventado
Para ser nosso roteirista no teatro de marionetes da vida
E que por ser meramente ficção mental
É feito vampiro, não reflete em espelho algum
Mas suga toda a nossa vivência do aqui e agora temporal.
Poeta da paz na marra e no peito
Dava porrada a torto e a direito
Na cruz, na espada e no capeta
Mas hoje, poeta envelhecido
Eu penso que penso o que penso
Mas no fundo não penso quase nada
Pois quase tudo o que penso que penso
Já foi pensado e em mim só foi copiado.
Da dor que choro em silêncio
Sufocada na solidão do peito
Não se transforme em pânico
E transborde de qualquer jeito.
Eu luto para assimilar o golpe
Pois agora entendo na carne
Os ensinamentos sagrados
Dos velhos mestres do Oriente
De que há muitas mortes
De si mesmo em cada um
Numa mesma existência
Sob as estrelas do firmamento.
Conforme os apelos dos ensinos antigos
Luto pela superação dos apegos
Com o rompimento dos elos
Que unidos formam os egos
Que nos aprisionam inconscientes
Nos ciclos de desejos de nossas mentes.
Celso Afonso Lima é formado em Engenharia de Minas pela UFRGS, estudou jornalismo e filosofia e atualmente estuda Letras. Sem nenhum livro publicado, o autor escreve desde sua adolescência e se considera um "artesão das letras e palavras". O mundo maravilhoso dos blogs na Internet é como um grande “cordel virtual” que possibilita aos poetas amadores desengavetarem e pendurarem todas as suas obras, feito peças íntimas estendidas num varal ao sol do cyber-espaço, para a leitura dos internautas que navegam à deriva na rede.