Enquanto eu lavava alface na cozinha pro jantar
E ouvia as más notícias do Jornal Nacional na TV da sala
Olhando pela janela víamos Vênus e Mercúrio em conjunção
E ao longe, Júpiter. Todos brilhando sem piscar em torno da lua
Como uma gang de astros espiando a vida da gente
Enquanto minha mulher picava carne crua pro gato
(Que comia ficando de pezinho, em duas patas)
E tirava a tartaruga do tanque para dormir sob o sofá
Olhando pela vidraça do forno víamos a picanha com batatas
Famintos, ansiávamos comer feitos bichos: de quatro pés!
Na imensidão o que os astros vão pensar de nós?...
ANÚNCIO DO SENTIDO DA VIDA
Como a da maçã mordida pelo câncer
Que definhou e matou Steve Jobs
Transforma qualquer um em budista
Praticante do desapego e da compaixão
Do viver cada dia como sendo o único.
Mas quando a doença é curada
E é cancelada a previsão anunciada
Perdemos a consciência da morte por vir
E como seres sem prazo de validade certo
Voltamos a perder a consciência do existir
A morte é o anúncio que dá sentido à vida
E a todos desde o nascer está anunciada
Mas por não sabermos quando se morre
A existência valiosa pode ser desperdiçada.
Menos querer e mais fazer
Não me cabe continuar sonhando
Com o que tenho vontade de fazer
Pois é o mesmo que sempre tive vontade
E que continuo inerte a só querer
Agora não tenho mais tempo nem idade
Sequer pra fazer tudo o quero acontecer:
É hora de botar a mão na massa pra valer!
BANCAS DO BRIC
Persas e turcos não são árabes
Mas português é europeu, pois-pois!
Americano pensa que é a América
Todos eles povos em crises existenciais
Enquanto emerge o BRIC das quinquilharias
BRasil, Índia e China botando bancas comerciais
Num mundo em rebuliço cheio de patifarias
E a gente sem escapar ileso destas bravatas
Do lado debaixo do Equador mestiço
Vamos aproveitando pra lambuzar o beiço
Abocanhando copas e olimpíadas pelas mamatas
Mas português é europeu, pois-pois!
Americano pensa que é a América
Todos eles povos em crises existenciais
Enquanto emerge o BRIC das quinquilharias
BRasil, Índia e China botando bancas comerciais
Num mundo em rebuliço cheio de patifarias
E a gente sem escapar ileso destas bravatas
Do lado debaixo do Equador mestiço
Vamos aproveitando pra lambuzar o beiço
Abocanhando copas e olimpíadas pelas mamatas
Compactuando com a máfia FIFA-CBF e ETC.
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Onze de onze/onze
Não me ocorreu nada
Nesta data cabalística
Nenhuma inspiração
Nem poética nem trágica
Mas pra não passar em branco
Registro que nada há a registrar
Neste simulacro de poema
Que vale apenas pelo seu título.
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