O VOO DA LAGOA

Como a pata do pato
Que é boa pra caminhar
(Com grande base pra ficar em pé)
E excelente para nadar
O nosso amor é um fato
(Com maioridade pra se botar fé)
Que é ótimo de se vivenciar
E maravilhoso de se projetar voar
Como dois patinhos na lagoa...
Da vida.

EFEITOS DO VULCÃO CHILENO

Aeroportos fechados, sem teto
Nuvens carregadas de pó bruto
Cinzas espalhadas pelo chão
De várias nações vizinhas
Expelidas no fogaréu do charuto
Fumado pela natureza feita um dragão
Enquanto derramava em lavas vermelhas
O vinho do Castillero del Diablo do vulcão:
Neruda,  qué borrachera en Puyehue!

O OBSERVADOR DA MENTE

(Avidya)
Como uma criança hiperativa
A mente é altista e tímida
E paralisa as suas travessuras
Quando se sente observada
     Na insônia intensa
     Quando a mente dispara
     A pensar disparates
     Quem a manda contar carneirinhos?
             Quem nunca observou
             Seus próprios pensamentos
             (Especialmente os indesejáveis)
             E os espantou de vez
             Fazendo a mente se aquietar?
             Como isso é meditar:
             Quem nunca meditou?
                    Saiba que o observador inercial
                    Que está sempre por trás da mente
                    É a nossa natureza primordial
                    Que sobrevive soterrada
                    Pela avalanche de pensamentos
                    Que a mente produz de forma deliberada
                    Para cegar o seu observador
                    E fazê-lo cair na ignorância
                    De se confundir com o torpor
                    Esquecendo que há a mente observada
                    E esquecendo que é o observador
                    Até ficar como uma alma penada
                    Pelo jogo da mente aprisionado.

Cena de Rua

Como é lindo

Uma criança dormindo

No ombro do pai ou da mãe

Nos faz seguir sorrindo

Pois vistos de trás:

É o símbolo da paz!

ANJO CAÍDO (Spasha)



Como um gordo anjo caído
Pelos prazeres dos sentidos
Entro e saio dos vícios adquiridos
Pelo corpo que cria dependências com facilidade
Sigo cambaleando entre o mal e a bondade
  Saboreando o doce e o amargo em exercícios:
                     Da língua, da guela e do estômago pelas mesas
                   Da boca, mãos e pênis pelas camas
                Da pele ao sol, no vento e na chuva pelas ruas
            Dos pulmões e narinas pelas fumaças tragadas
        E da mente entorpecida no álcool das cevas e vinhos.

MANCHETES MISTURADAS

O resgate feito agora da caixa preta
Do avião que sumiu no Atlântico
Com 228 pessoas a bordo
No voo Rio-Paris em 2009
Foi uma grande decepção
Primeiro que a caixa não é caixa
É na verdade um cilindro
Tampouco é preta, é laranja
Conforme o mundo todo viu na TV
Que decepção!...

Segundo que coincidiu o resgate
Com o dia que jogaram no mar o corpo
Do inimigo número 1 do ocidente
O terrorista islâmico Osama Bin Laden
Obama matou Osama que “feriu” o Busch que matou o Sadam...
São as notícias na televisão de um dia dito “histórico”
Justo quando ia completar 10 anos da queda das Torres Gêmeas
Onde morreram cerca de três mil pessoas espetacularmente
O mártir morto, pra não ter túmulo de herói islâmico com romarias
Foi desovado para sumir em lugar incerto, foi misturado
Aos corpos do Voo AF447 não resgatados do fundo mar...

AVISO AOS NAVEGANTES

Boto a cara no mundo
Pra apanhar ou ser beijada
Mostro as rugas deixadas
Como marcas dos tempos idos
De carências e desafios vencidos.
         Boto a cara e não fico mudo
         Abro a boca no trombone do poema
         Ao internauta que no meu blog rema
         Com clics compulsivos no seu mouse
         Feito um náufrago que à deriva passa
         Levado pelas correntezas de links sem rumo
         Deixando o seu rastro no contador de acessos:
                   Quem avisa amigo é
                    Nas águas traiçoeiras
                    Do cyberespaço não dá pé!