STREET ARTs


Arte urbana colorindo tudo
Com o grafitismo nos muros
Nas calçadas e fachadas, em grandes murais
Com anônima autoria ilegível
Feito arte efêmera por perecível
Que no dia seguinte pode não existir mais...

O arco-íris feito só da solar luz pura
É street art colorindo o céu chuvoso
Encantando a todos pelo improvável
Pelo malabarismo do artista anônimo da pintura
Pela magia das cores pinceladas em listas no aquoso
É efêmera arte pública suspensa no dia instável.

PONTO DE MUTAÇÃO

Quando o PT
Deixou de ser petista
E eu continuei, por fé
Fiquei pentelho
Ferido, tiro no pé
do próprio partido!
Foi quando, vã
A fome de poder
Mordeu a maçã
E desfez o paraíso
Do ser por ser
Pelo ser por ter
Poder.

O FINADO SONHO DE VERDADE

Na panela de pressão
De pensamentos efervescentes
Que é a cabeça da gente
Vamos cozinhando em nossas vidas
Um sopão de idéias adquiridas
Para servir como um caldo de verdades
Sob às velas da nossa última idade.

Fogueira dos Pensamentos

Passar a vida inteira
Ocupado com as labaredas
Infindáveis dos pensamentos
Sem nunca se ocupar da mente?
       Viver ardendo em suas alamedas
       Devaneando nos labirintos do pensar
       E andando em círculos, sem ir em frente
       Sem nunca na fonte do fogo chegar?
            Seguir acreditando que o cérebro é a mente
            Sem nunca a consciência de si nele localizar?
            Isso, ou crer que há algo em nós imortal e permanente?
            Isso, ou pelo menos se ocupar em observar a mente a pensar?
            Isso, ou ficar sem nunca entender que fenômeno é a gente?...

PROPORÇÕES

O pequeno marisco

Entre o mar e o rochedo

É maior do que eu no meu risco

Entre a solidão e o medo.

POESIA PROSAICA

Parafraseando o diplomata poetinha
Cantor, alcoólatra e compositor
Do amor eterno que dura pouco:
Os prosaicos que me perdoem
Mas a poesia é essencial!
Nem só a tão vivida de Vinicius e seus amores
Nem só a tão contida de Drummond, feita de ferro
Mas também a minha prosaica poesia do erro
Que é tanto vivida quanto contida quanto vital
Apenas que na várzea dos poetas amadores
E na clandestinidade dos solitários proseadores.

HUMILDES NO PODER

É preciso ter grandeza
Para ser humilde por opção
Sem o ser por humilhação
           Como é preciso falta de grandeza
           Para ser prepotente por avareza
           E ser “humilha-dor” dos humildes
                   Dos humildes deverá ser o reino da Terra
                   Antes que os prepotentes causem a sua destruição.